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Adicione Comentario Junho 12th, 2008

Vamos andar na contramão!

É notável e assustador o número de motoristas trafegando na contramão em São Paulo nos últimos meses. De fevereiro a junho há pelo menos meia dúzia de registros de motoristas que andaram 3, 5 e até 9 quilômetros na contramão em avenidas de tráfego intenso e até mesmo em rodovias estaduais. Alguns terminaram “sua aventura†no pára-choque de um caminhão e outros, interceptados como mísseis inimigos pela polícia, foram detidos e estão presos.

Que tipo de “coragem†leva um ser humano cuja pele é tão frágil (que direi dos órgãos vitais?) a lançar-se no contra-fluxo onde circulam a toda a velocidade máquinas de aço com no mínimo uma tonelada de peso a velocidades não menores que 70 quilômetros por hora? Que tipo de pensamento ou desejo ou desafio mexe tanto com as forças mais intrínsecas e arremessa a criatura humana num salto horizontal para a possível e iminente morte? Que força tão irresistível move cada músculo, cada membro e cada partícula da vontade humana rumo ao desconhecido, ao perigoso encontro da polícia ou mesmo do fim prematuro da vida?

Esses motoristas, embora irracionais no comportamento, são meus heróis na ideologia. Um escritor, não muito ortodoxo, escreveu que “o cristão deve andar na contramão do sistemaâ€. Ele ecoa o ensino de Jesus que disse o mesmo com outras palavras: “Quem quiser salvar a sua vida deverá perdê-laâ€.

Jesus não incentiva o cristianismo irracional do comportamento anti-social nem mesmo o suicídio precoce do João Batista acusador. Embora ele mesmo tenha acusado os falsos religiosos por sua hipocrisia, trafegou na contramão quando amou os pecadores e estendeu-lhes a mão; demonstrou uma vida piedosa, equilibrada e dinâmica numa sociedade agitada e ansiosa; foi disciplinado ao dedicar tempo devido a cada uma das inúmeras atividades que precisavam de sua atenção e presença.

Muitos de nós cristãos estamos de fato na faixa da esquerda, correndo no limite da velocidade. E estamos indo rápido demais, só que infelizmente temos seguido o fluxo comum. Queremos ganhar a vida sem perdê-la. Se possível for, queremos mostrar que estamos indo bem, pela faixa da esquerda, ultrapassando a todos, quando deveríamos estar na contramão.

Adicione Comentario Junho 12th, 2008

O pão da vida

Cheguei ao escritório hoje cedo e havia um exemplar da Folha Universal (da Igreja Universal do Reino de Deus) jogado na garagem. Apanhei-o e trouxe para dentro a fim de ler as manchetes, ao menos.

Havia um saquinho grampeado com um pedaço de pão de forma e um papel impresso com algumas informações.

Acessei meus emails, fiz algumas outras coisas e fui folhear o jornal. Editorial amplo, tratando de tudo, como um grande jornal. Tomei o saquinho plástico e resolvi ler o que havia. Transcrevo, com todos os erros gramaticais:

“O Pão da Vida

Como usá-lo?

Siga as instruções de uso:

1º. Não coma

2º. Coloque-o assim como esta (sic) atrás da porta de entrada em sua casa, e todos os males da sua casa, serão atraídos ao pão.

3º. Deixe-o em sua casa.

4º. E traga para ser queimado, pois os males serão consumidos pelo fogo.

“Porque o nosso Deus é Fogo Consumidor.†(Hebreus 12:29)

“Disse Jesus eu sou a luz do mundo quem me segue não andará nas trevas pelo contrário terá a luz da vida.†(João 8:12)

Traga nesse endereço: [e o carimbo com o endereço]â€

 

Bem, eu poderia comentar muitas coisas sobre esse episódio, por exemplo, por que ao usar uma “macumbinha†com pão, não usaram também o versículo onde Jesus afirma ser o pão da vida? Mas não vou comentar nada. Deixo por conta da sua imaginação.

Adicione Comentario Agosto 24th, 2007

O ateísmo filosófico e as heresias no banco dos réus

Após alguns meses esgotado, a Arte Editorial e Candeia relançam o clássico Evidência que Exige um Veredito, de Josh McDowell. Esse é, provavelmente, o livro de apologética mais lido nos últimos anos. Em dois volumes independentes, grosso modo poderia dizer que o volume 1 trabalha com as evidências internas (tratando de Bíblia, profecias, Cristologia e a observação dos resultados da salvação na vida prática), enquanto que o volume 2 trabalha com as questões acadêmicas (anti-sobrenaturalismo e arqueologia, hipótese documentária, crítica da Bíblia e crítica da forma, além de importantes apêndices).

Alunos, professores e estudantes dão boas-vindas a essa obra, tão usada em seminários, faculdades e cursos em todo o Brasil.

Adicione Comentario Julho 30th, 2007

Deus no banco dos réus

A Folha de S. Paulo publicou 21/7/2007 (por Sylvia Colombo e Marcos Strecker) matéria apontando o seguinte:
“A religião está sentada no banco dos réus. O ateísmo, que há séculos é um tema filosófico, vive agora um “boom” editorial. Livros que não só questionam a existência de Deus como culpam a religião (qualquer religião) por todos os males da humanidade vêm freqüentando as listas de mais vendidos. É certo que o 11 de Setembro e a preocupação com o fundamentalismo islâmico têm relação direta com o fenômeno. Mas também sobram ataques às outras crenças, tidas como responsáveis por cercear o desenvolvimento da ciência e a liberdade sexual, além de provocar guerras ao longo da história. O biólogo Richard Dawkins, com Deus, um delírio (que chega ao Brasil em agosto), e o ensaísta inglês Christopher Hitchens, com God is not great, são os respeitados best-sellers dessa nova onda ateísta.â€
Para os desavisados – e eles sempre existem – a Ed. Vida publicou há alguns anos o excelente E se Jesus não tivesse nascido?†(D. James Kennedy & Jerry Newcombe). A obra é leitura obrigatória para todos aqueles que querem conhecer mais sobre a influência do cristianismo por um ponto de vista pouco abordado por estudiosos e escritores.
O Dr. Kennedy fala sobre as transformações provocadas pela presença de missionários e de cristãos em determinadas sociedades em diversas culturas, suas contribuições na tradução de obras para o idioma nativo, alfabetização, influência do cristianismo na música, nas artes, na literatura, na contabilidade, na democracia, nas liberdades civis, no respeito à mulher e à criança, nas políticas públicas, na abolição da escravatura entre outros.
No final, não como quem quer justificar-se, apresenta o lado sombrio da participação cristã em massacres e desmandos. Mas não faz isso sem também pôr lado a lado os mesmos resultados funestos – e de dimensões superiores, da liderança de homens como Stálin, Mao e Hitler, apresentando números para comprovar que apesar das infelizes marcas deixadas na história pelas cruzadas e pela inquisição, o cristianismo deu cabo em menos vidas em dois mil anos de história que os regimes dirigidos por esses homens no século 20.
Vale a pena ler e recolocar Deus em seu trono e alguns historiadores no banco dos réus.

Adicione Comentario Julho 23rd, 2007

Sobre pedir dinheiro

“O [profeta] que disser, sob inspiração: dá-me dinheiro ou qualquer outra coisa, não o escuteis; se, porém, pedir para outros necessitados, então ninguém o julgue” (trecho do capítulo XI do Didaquê, escrito cristão do primeiro século).

Adicione Comentario Julho 6th, 2007

Os Segredos do Alcorão

Acabei de ler Os Segredos do Alcorão, de Don Richardson. Já tinha lido o seu O Fator Melquisedeque, que marcou minha maneira de ver a graça de Deus e seu testemunho nas diversas culturas.

Don Richardson esteve no Brasil recentemente divulgando seu mais novo livro. Ganhei um exemplar em uma conferência (obrigado David!) e imaginei que fosse mais um livro sobre missões aos povos não alcançados.

Surpreendeu-me a leitura de Os Segredos do Alcorão. A exemplo do que fez Salman Rushdie em Versos Satânicos, D. Richardson vai mais além e mais explicitamente. Rushdie escreve em estilo romance: Richardson faz um relato histórico, apresenta sua extensa pesquisa.
Se Rushdie desde 1989 está condenado à morte pelo fatwa (maldição, condenação) proferido pelo aiatolá Khomeini, Richardson terá ainda mais problemas, pois ele abre todas as portas, janelas e alçapões do Islã e seu profeta Maomé e põe o dedo onde certamente dói muito nos muçulmanos.
Na minha opinião é um livro para ser lido e divulgado. Mais que evangelização, é um favor ao Ocidente e aos próprios muçulmanos.
Um resumo do conteúdo pode ser visto em http://www.mhorizontes.org.br/Paginas/mostra_informacao.asp?ID=104

Se quiser aprofundar-se no assunto, recomendo mais duas obras em português: O Islã sem Véu (Ergun Mehmet Caner e Emir Fethi Caner, Ed. Vida) e O Islã e os Judeus (Mark A. Grabriel, Ed. Dynamus). Os três autores são ex-muculmanos convertidos ao cristianismo. Boas leituras!

Adicione Comentario Junho 22nd, 2007

Evangelismo pessoal em um mundo individualista

A demanda por estratégias inovadoras na evangelização não consta do topo da lista de assuntos de maior interesse na igreja. Mas deveria, haja vista ser a evangelização um mandamento do Senhor (Mt 28.18-20). É provável que uma das causas desse desinteresse (e há muitas) seja a dificuldade em romper o isolamento natural a que o homem se submete há anos, e que a pós-modernidade apenas acentuou.
As facilidades da tecnologia, a gama de opções de entretenimento, o mundo ao alcance do mouse e até a inconveniência dos partidos religiosos e políticos de invadirem nosso espaço pessoal são elementos que vieram agravar a tendência latente no homem de afastar-se a fim de visualizar à distância aquilo que realmente nos atrai e, a partir daí, fazer uma escolha. Mas o mandamento cristão não nos orienta a expor a mensagem como em uma vitrine e aguardar o interessado disposto a levá-la consigo. Jesus foi enfático: “Vão e façam discípulosâ€. É imperativo e pró-ativo.
Tomando como exemplo um modelo clássico no livro de Atos, é possível aprender com a experiência de Filipe em Atos 8 que o mecanismo central que rompe a barreira do individualismo é, em primeiro lugar, a percepção da soberania de Deus. O Senhor orienta o homem para dentro da sua palavra (o eunuco) ao mesmo tempo em que se manifesta a necessidade da evangelização ao seu servo (Filipe). Paulo disse que até mesmo a ocorrência do nosso arrependimento é dependente da intervenção divina (Rm 2.4). Portanto, a soberania de Deus implica no sucesso em romper o isolamento atrás do qual o homem se esconde.
Em segundo lugar, o êxito em alcançar o ponto de contato com a alma humana carente é permitir que o Senhor oriente os esforços evangelísticos. Em Atos, o anjo do Senhor apresentou-se a Filipe com a estratégia a ser seguida: “Vá para o sul, para a estrada deserta que desce de Jerusalém a Gazaâ€.
Lá estava um homem típico da pós-modernidade em seu isolamento, um homem inacessível à maioria das pessoas: o eunuco, um oficial importante, encarregado de todos os tesouros de Candace, rainha dos etíopes (At 8.27). O homem viajava dentro de uma carruagem. Em outras palavras, não estava sobre um jumentinho permitindo que qualquer um o abordasse. Em nossos dias ele estaria num carro blindado, vidros com insul film e seguranças. Como aquele homem poderia ser alcançado?
A pergunta tem resposta em duas partes:
1) Por meio de quem o Senhor escolheu para levar a mensagem e estava atento quando foi convocado. Para isso é preciso evitar que o vírus do isolamento contamine a nós em primeiro lugar. O cristão deve misturar-se na multidão sem misturar o seu comportamento, se quiser influenciar e alcançar vidas. Pense no motivo pelo qual Jesus foi à festa de casamento, comeu com pecadores, misturou-se com gente corrupta. No entanto, não permitiu ser influenciado pelo meio em que vivia.
2) Aquele que reconhece o valor da mensagem para os cansados e sobrecarregados, para os doentes que Jesus disse ter vindo curar. Quem não reconhece sua doença não dá valor ao médico! (Mt 9.12) Quando o isolamento não pode ser rompido naturalmente, o Senhor traz o homem para fora da sua clausura. O eunuco esteve exposto à intervenção do Espírito orientando seus desejos a ponto de ele pedir explicação das Escrituras usando as seguintes palavras: “Diga-me, por favor…†(At 8.34).
É imprescindível considerar a ação do Senhor na evangelização em qualquer época ou circunstância. O pós-modernismo que agravou a prática do isolamento é apenas a repetição de um dos muitos cenários onde Deus já atuou com sucesso. Em Nínive, onde homens bárbaros eram cruéis com aqueles que os afrontasse, o resultado da pregação de Jonas foi a maior conversão de almas registrada na Bíblia: cento e vinte mil pessoas (Jn 4.11). A soberania do Senhor e a obediência humana em face à revelação ainda são os músculos que promovem o crescimento do Reino de Deus através dos séculos.

Adicione Comentario Junho 19th, 2007

Falando sobre o mercado de trabalho

por Max Gheringer

 “Existem muitos gurus que sabem dar respostas criativas às grandes questões sobre o mercado de trabalho. Aqui vai um pequeno resumo da  entrevista com o famoso Reynold Remhn:

Pergunto: Ainda é possível ser feliz num mundo tão competitivo?

Resposta: Quanto mais conhecimento conseguimos acumular, mais entendemos que ainda falta muito para aprendermos. É por isso que  sofremos. Trabalhar em excesso é como perseguir o vento. A felicidade só existe para quem souber aproveitar agora os frutos do seu trabalho.

Segunda pergunta: O profissional do futuro será um individualista?

Resposta: Pelo contrário. O azar será de quem ficar sozinho, porque se cair, não terá ninguém para ajudá lo a levantar-se.

Terceira pergunta: Que conselho o Sr dá aos jovens que estão entrando no mercado de trabalho?

Resposta: É melhor ser criticado pelos sábios do que ser elogiado pelos insensatos. Elogios vazios são como gravetos atirados em uma fogueira.

Quarta pergunta: E para os funcionários que tem Chefes centralizadores e perversos?

Reposta: Muitas vezes os justos são tratados pela cartilha dos injustos, mas isso passa. Por mais poderoso que alguém pareça ser, essa pessoa ainda será incapaz de dominar a própria respiração.

Última pergunta: O que é exatamente sucesso?

Resposta: É o sono gostoso. Se a fartura do rico não o deixa dormir, ele estará acumulando, ao mesmo tempo, sua riqueza e sua desgraça.

Belas e sábias respostas.

Eu só queria me desculpar pelo fato de que não existe nenhum Reynold Remhn.

Eu o inventei. Todas as respostas, embora extremamente atuais foram retiradas de um livro escrito há 2.300 anos: o ECLESIASTES, do Velho Testamento. Mas, se eu digo isso logo no começo, muita gente, talvez, nem tivesse interesse em continuar lendo.

Max Gheringer para a CBN”.Â

Adicione Comentario Junho 19th, 2007

Os peixes de Bento XVI têm espinhos

A visita de Bento XVI ao Brasil revelou muito sobre nossas próprias fraquezas. Ao vir ao “continente da esperança†vender seu peixe, quatro desses peixes lançaram espinhos no prato dos evangélicos. Os quatro espinhos que nos “espetam†são:

A manutenção da ortodoxia. O Papa criticou abertamente os abusos em áreas como matrimônio (a “ferida do divórcioâ€); castidade dos solteiros (sexo antes do casamento); fidelidade no matrimônio.

A missão da igreja. A evangelização e as ações sociais que inibam as desigualdades foram a tônica de discursos nessa área. O ensino religioso nas escolas foi um capítulo à parte que mostrou a força de uma igreja que pressiona quando precisa e se faz notar.

A ética. Aborto, união e pessoas de mesmo sexo e a banalização do sexo, a ridicularização do modelo cristão de castidade por parte dos meios de comunicação (leiam-se Rede Globo) e a preservação da Amazônia (demonstrando sintonia com as questões ambientais).

A inclusão social. Bento XVI criticou o marxismo, o capitalismo, os governos autoritários e os programas gerais como ineficientes para resolver os problemas crônicos na América Latina.

Em linhas gerais, um discurso bem calculado e abrangente, fora a falta de mensagem sobre a salvação pela fé em Cristo, que eles preferem substituir pela intermediação de “santosâ€.

No outro lado, o discurso evangélico refletido pelos tele-evangelistas, antropocêntrico, muitas vezes parece basear-se num manual de auto-ajuda, em vez de na Bíblia. Em comparação o que temos é:

A manutenção da ortodoxia. O número de divórcios entre evangélicos (inclusive pastores) tem aumentado. O sexo antes do casamento é cada vez mais comum entre evangélicos (para falar o mínimo).

A missão da igreja. A missão da igreja evangélica tem sido “prosperar†seus fiéis, trabalhar sua auto-estima e trazer para a terra os tesouros que deveriam ser guardados no céu.

A ética. Será que a preocupação evangélica quanto a questões como o aborto deveria ser vista na compra de ambulâncias pela máfia de políticos evangélicos? O mesmo pode ser dito dos parlamentares evangélicos que “não notaram†o avanço do Projeto de Lei contra a homofobia, que avança a passos largos no Congresso?

A inclusão social. A igreja evangélica não possui um programa diaconal decente e que funcione nem um discurso uniforme sobre questões primárias; o que poderá fazer, então, pelas desigualdades no país?

Os adeptos de Galvão que não nos ouçam, mas a salvação pela fé somente irá nos redimir caso a negligência em tratar dessas questões em nossos púlpitos seja avaliada no Tribunal de Cristo.

Adicione Comentario Junho 18th, 2007

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